Infanto Juvenil

A autora Olívia Mindêlo com o seu livro Histórias Saídas do Mar.
A autora Olívia Mindêlo com o seu livro Histórias saídas do mar nas mãos.

“Histórias Saídas do Mar” tem animais como protagonistas

A jornalista Olívia Mindêlo estreia na literatura infantojuvenil com três contos protagonizados por animais, onde o mar e as emoções humanas se entrelaçam de forma poética.

REDAÇÃO
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A jornalista Olívia Mindêlo acaba de lançar o livro “Histórias saídas do mar” (Vacatussa Editora, 84 páginas), sua estreia como autora de ficção e também sua primeira obra destinada ao público infantojuvenil. O livro, que foi lindamente ilustrado pela artista Juliana Lapa, reúne três contos que têm os animais como grandes protagonistas. São eles os atores principais que mudam o curso das histórias, contadas a partir da perspectiva deles. As narrativas “A Baleia e a Raposa”, “Atobaldo” e “Noninho e Magali” compartilham também a presença do mar e da costa, cenários onde tudo acontece. Segundo Olívia, os textos trabalham “o amor pelos bichos, pelo mar, pela terra e promovendo um estímulo à educação emocional das crianças, diante das perdas, da diversidade da vida, da natureza e da máquina de sentir que é a existência”.

O Livronews conversou com a autora sobre o processo de criação do livro, seu diálogo com o público infantil e sua formação como leitora e escritora.

Foto da Autora Olívia Mindêlo sorrindo

Olívia Mindêlo é jornalista, curadora e escritora. Estreia na ficção com "Histórias Saídas do Mar", realizando seu sonho infantil de ser escritora. Sua obra celebra a natureza, os animais e o mar, refletindo suas paixões e memórias afetivas. Vive no Recife, onde une jornalismo, arte e literatura.

Olívia Mindêlo

Escritora e jornalista

Este é o seu primeiro livro infantojuvenil. Fala sobre isso.

Gosto de dizer que este é o meu primeiro livro de ficção. Jamais tinha inventado histórias, a não ser na minha infância. No máximo, poesias guardadas na gaveta. E foi justamente quando criança que eu me encantei pela literatura, minha mãe me proporcionou isso. E ali, com Cecília Meireles, nas tarefas de casa, nos textos livres para a escola, surgiu meu grande amor pela escrita, que foi muito alimentado também pelas cartas. Quando a professora perguntou a clássica “o que queríamos ser quando crescêssemos”, minha resposta foi, aos 8 anos, “ser escritora”. Me tornei jornalista também por isso, mas escrever este livro é um sonho de criança realizado, definitivamente. Como uma criança que amava desenhar e se reencontra com esse amor.

Como surgiram essas histórias?

Essas histórias surgiram há dez anos, mais ou menos. Primeiro veio “A Baleia e a Raposa”. Eu estava vivendo um processo emocional intenso, transformador, e a história foi uma resposta metafórica às vivências daquele momento. Imaginar o encontro entre os dois bichos foi um processo de cura. Eu pensava: “E se antes de todo mundo existir, antes de qualquer ser humano respirar, tivesse havido um encontro entre bichos tão diferentes e aparentemente distantes?”. E, então, coisas surpreendentes aconteceram, coincidências como: eu colocar no Google “A Baleia e a Raposa” para saber se já existia uma história com esse título, e aparecer uma matéria da BBC falando sobre uma tese científica de que o mesmo bicho ancestral da raposa é também o da baleia. E aí, para as outras histórias, foi um pulo, uma necessidade de criar um livro de contos, de fábulas, digamos assim. Uma coisa foi puxando a outra.

Fala um pouco do processo de produção desses três contos.

Eu preciso dizer que sou a louca das baleias. Além de ser meu apelido de adolescência, vários amigos me mandam vídeos e imagens pelo Instagram, tenho uma pasta salva só disso e uma tatuagem no braço. Já viajei para Abrolhos, na Bahia, só para vê-las. As jubartes, sobretudo. Imagine um ônibus saltando do mar. São elas. Como ficar indiferente? Além disso, quando eu era adolescente, meu pai, Orlando, morou em Fernando de Noronha e eu pude ver de perto esse mundo selvagem de uma maneira muito especial. Golfinhos rotadores, arraias, tubarões, tartarugas marinhas, ouriços brancos, peixes coloridos, rochas vulcânicas em meio a um mar esmeralda. Isso foi um fascínio puro para mim. “Então a gente vive neste planeta?”, pensei. E aí, no meio desses bichos, eu conheci o atobá, o pássaro que mergulha para pegar peixes dentro d’água. Quando fui a Abrolhos, bem depois, eu vi não só as jubartes, como reencontrei esses pássaros e vi um deles colocando um gravetinho na boca do outro. Me chamou atenção e fui pesquisar sobre esse animal. E assim eu entrei na história de Atobaldo. Todos esses contos são fruto de observações reais, da minha maneira de admirar o mundo.

Agora, Noninho e Magali não. É uma história de amor real e impressionante entre os gatos de uma amiga que se conheceram em Itamaracá e viveram juntos até morrer, no Recife. Achei que mais pessoas deveriam conhecer essa história que ela tanto gosta de contar e resolvi ficcionalizar, completando esse livrinho.

Como não consigo escrever pouco, o livro foi crescendo e virou infantojuvenil, mas também porque eu queria aprofundá-lo, contar histórias para a segunda infância em diante, com maior maturidade emocional. Para pessoas em formação e transformação.

Todas elas têm os animais como personagens principais. Por quê?

Por conta disso tudo, por essa minha vivência e porque sempre gostei dos bichos. Acho que também pela influência da literatura, que tem muitos deles. Eu queria tentar contar as histórias da perspectiva dos bichos, quando nós humanos, que nos achamos donos do mundo, ainda nem existíamos, não éramos nem pensamento. É uma forma de relativizar nossa superioridade, e tentar diminuir essa cisão arrogante que criamos em relação a outras espécies. Por isso, começo falando de uma era em que humanos não existiam até um momento em que somos meros coadjuvantes. Isso marca as três histórias, que acabam tendo a minha visão de humana, inevitável rs, mas tento entrar mais no mundo deles e trazer para o nosso, entendendo que dividimos o mesmo oxigênio. Por terem outras racionalidades, também nos ensinam a acessar o plano emocional. Nos ensinam a sentir. Meu pai diz que “os bichos nos humanizam”, acho curioso isso.

FICHA DO LIVRO

Capa do livro.

Título

História saídas do mar

Autor

Olívia Mindêlo

Páginas

84

Editora

Vacatussa

Lançamento

2025

Idioma

Português

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